Escrito por Mãe Lurdes de Campos Vieira
|
"A
Sabedoria nos acomoda e revela os mistérios ocultos e sagrados"
Rubens
Saraceni
Na
Idade Madura, o ser, ao tornar-se mais racional, começa a ter uma "luz
interior" alimentada por sólidos princípios que o guiam. Essa "luz
interior" é que, logo após o desencarne, irá distinguir um ser livre de
outro preso aos instintos e impulsos. A divindade que acompanha nosso fim na
carne, assim como nossa entrada, em espírito, no mundo astral, é Mãe Nanã.
Nessa porta de passagem, ela atua sobre o nosso carma, conduzindo esta
transição com calma e serenidade. Mãe Nanã Buruquê é a maleabilidade e a
decantação, é a calma absoluta, que se movimenta lenta e cadenciadamente.
Essa calma absorvente de Mãe Nanã, exige silêncio; descarrega e magnetiza o
campo vibratório das pessoas, que se modificam, passando a agir com mais
ponderação, equilíbrio e maturidade. Mas, maturidade não é sinônimo de idade
e idade não é sinônimo de sapiência nem de maturidade. Maturidade é
sabedoria, é o desenvolvimento e o compartilhamento de virtudes, é o uso da
razão, com simplicidade, harmonia, equilíbrio, amor e fé. O ser mais
racional, guiado por princípios virtuosos, tem uma luz que se reflete em sua
aura, dando-lhe um aspecto luminoso, sóbrio e estável, pois resiste aos
contratempos que porventura surjam em sua vida. Essa luz se expande a partir
de seu íntimo e fortalece sua aura. O ser racional, em sua velhice, é o pai e
a mãe preocupado(a) com o bem estar de seus filhos e netos, que sabe se
mostrar agradável aos jovens, por ser extrovertido, sem se tornar frívolo....
Os seres maduros têm sua religiosidade fundamentada em princípios abrangentes
e consegue sublimar-se muito rapidamente após o desencarne. Desliga-se do
plano material e busca seus afins nas esferas de luz. Já nos seres presos aos
impulsos, sem maturidade, sua luz é exterior e varia conforme seu estado de
espírito. O ser imaturo, quando atinge a velhice, começa a sofrer muito, por
não possuir energias humanas para alimentar seu corpo emocional e acaba tornando-se
apático, desinteressado, implicante etc. Sua luz vai se exaurindo com o
advento da velhice, num processo oposto ao dos seres maduros. A luz de um ser
é a sublimação de seu espírito humano, que irá se conduzir segundo os
princípios divinos que regem toda a criação..
A orixá
Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional
dos seres, que, se emocionados, sofrem sua atuação, aquietando-se e chegando
até a ter suas evoluções paralisadas. Ela age decantando-os de seus vícios e
desequilíbrios mentais e preparando-os para uma nova vida, mais equilibrada.
De todos os orixás, Nanã é quem tem um dos mistérios mais fechados, pois seu
lado negativo é habitado por entidades com um poder enorme e como orixá é
fechada às pesquisas de sua força ativa. Ela desfaz os excessos e decanta, ou
enterra, os vícios. Ela é a maleabilidade e a decantação, pois é uma orixá
água-terra. É cósmica, dual e atua por atração magnética sobre os seres cuja
evolução está paralisada e o emocional desequilibrado. Ela desparalisa o ser,
decanta-o de todo negativismo, afixa-o no seu barro, deixando-o pronto para a
atuação de Obaluayiê, que o colocará numa nova senda evolutiva. Ela é a
divindade ou o mistério de Deus que atua sobre todos os espíritos que vão reencarnar,
pois decanta todos os seus sentimentos, mágoas e conceitos e os adormece,
para que Obaluayiê reduza-os ao tamanho de feto no útero da mãe que os
reconduzirá à luz da carne. Mãe Nanã envolve o espírito que irá reencarnar,
em uma irradiação que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como
adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na carne, onde não se
lembrará de nada do que já vivenciou. Por isso, ela é associada à velhice,
que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas da sua vida
carnal. Ela atua na memória dos seres, adormece os conhecimentos do espírito,
para que eles não interfiram com o destino traçado para a encarnação. Como
orixá, sua manifestação é através de movimentos lentos e cadenciados, porque
traz em si uma energia e magnetismo muito forte. Nanã é uma guardiã que tem
seu ponto de força natural, nos lagos, mangues, rios caudalosos e nos deltas
e estuários dos rios. Seu campo de ação está localizado nos lagos; tudo ali
traz uma calma, uma tranqüilidade que não é encontrada nos outros pontos de
força da natureza. No lado místico, Nanã é a divindade que acompanha nosso
fim na carne, assim como nossa entrada, em espírito, no mundo astral. Nessa
porta de passagem, Nanã, atua sobre nosso carma, conduzindo esta situação com
calma, para que o espírito não tome conhecimento da sua transição de um plano
vibratório a outro. Nanã é também guardiã do ponto de força da natureza que
absorve as irradiações negativas que se acumulam no espaço, criadas pelas
mentes humanas nos momentos de angústia, dor ou ódio. Nanã Buruquê é dual
porque manifesta duas qualidades ao mesmo tempo. Uma vai dando maleabilidade,
desfazendo o que está paralisado ou retificado, a outra vai decantando tudo e
todos os seus vícios, desequilíbrios e negativismos. Ela desfaz os excessos e
decanta ou enterra os vícios. Nanã Buruquê forma com Obaluayiê um par
natural; são os orixás responsáveis pela evolução dos seres. Se Obaluayiê é
estabilidade e evolução, Nanã, é a maleabilidade e a decantação que
polarizada com ele e, ambos, dão origem à irradiação da Evolução. Ela atua
também na linha da vida, que no início tem Oxum, estimulando a sexualidade
feminina, no meio tem Yemanjá, estimulando a maternidade e no fim tem Nanã,
paralisando a sexualidade e a geração de filhos, quando se instala a
menopausa. Nanã, é um dos orixás mais respeitados no ritual de Umbanda, por
se mostrar como uma vovó amorosa, sempre paciente com nossas imperfeições
como espíritos encarnados tentando trilhar a senda da luz. Os santuários naturais,
pontos de força regidos por nossa mãe Nanã Buruquê (os lagos), têm seu
próprio campo magnético absorvente poderosíssimo, que varia de sete a setenta
e sete metros, a partir das margens. Ali reina a calma absoluta,
característica que é própria de Nanã, que se movimenta lenta e
cadenciadamente, porque traz em si uma energia e um magnetismo muito fortes.
Nanã
Buruquê é a maleabilidade e a decantação e atua por atração magnética sobre
os seres com evolução paralisada e emocional desequilibrado. Essa calma absorvente
exige silêncio e descarrega e magnetiza o campo vibratório das pessoas, que
se modificam, passando a agir com mais ponderação e equilíbrio. Ela desfaz os
excessos, decanta o negativismo e os vícios e os afixa no seu barro. Nanã,
quando vibra à esquerda, no seu lado negativo, é a guardiã do ponto de força
das águas estagnadas. A ação negativa das águas paradas pode tirar o
equilíbrio de uma pessoa, de uma só vez, provocando desequilíbrio e doenças
espirituais, ao atuarem através dos líquidos do corpo humano. O seu ponto de
força, quando orientado para nos auxiliar, é absorvente, mas, quando voltado
contra nós, é destrutivo, desarmonizador e desequilibrador. Nanã é também a
guardiã dos deltas e estuários, locais em que os rios são absorvidos pelo mar.
Ela é a Guardiã do ponto de força da Natureza que absorve as irradiações
negativas, tanto as que são trazidas pelas correntes magnéticas ao redor da
litosfera, quanto as forças negativas criadas pelas mentes humanas. Esses
pontos são como pára-raios, que descarregam todas as irradiações captadas.
(*) Veja o texto na íntegra no
Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista Lurdes de Campos
Vieira (Coord.) – Madras Ed.
|
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
MÃE NANÃ
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário